Projeto

O uso do solo no Sul da Amazônia é dinâmico e globalmente relevante. No estado de Mato Grosso, por exemplo, observou-se um aumento de 87% nas terras cultivadas e 40% de desmatamento no período de 2001 a 2004. Estas mudanças de uso do solo são observadas ao longo da rodovia Cuiabá-Santarém (BR-163) e estão associadas a elevadas perdas de carbono (doravante C) e liberação de gases de efeito estufa (doravante GEE). Existe um interesse global em reduzir essas perdas de C e emissões de GEE no âmbito dos ecossistemas de floresta tropical e de cerrados, os quais são de grande importância para o estoque total de C e o ciclo global de GEE.

A modelagem do estoque de C e fluxos de GEE para ecosistemas tropiciais sob diferentes cenários de uso e manejo do solo são ainda muito imprecisos devido aos seguintes fatores: (a) a dinâmica do padrão de uso do solo ainda é pouco conhecida; e (b) os modelos para descrever o fluxo de GEE necessitam de calibração in-situ. Desta perspectiva, a modelagem regional específica constitui no principal objetivo deste projeto. Do ponto de vista das ciências sociais, interessam, sobretudo, a análise e o entendimento dos modos de reprodução sócio-econômicos que se encontram em rápida transformação bem como a identificação das possibilidades e dos agentes responsáveis por mudanças sociais.

O objetivo principal dessa abordagem multidisciplinar da cooperação teuto-brasileira é estudar estratégias de manejo de baixo carbono visando a mitigação das emissões de GEE e a preservação da função ecológica e social dos ecossistemas para os cenários climáticos futuros.

Para o desenvolvimento deste trabalho serão selecionadas três regiões ao longo da BR-163 no sul da Amazônia: 1) sul do Pará: áreas com desmatamento mais ativo; 2) norte de Mato Grosso: áreas de abertura recentes com produção de soja (< 10 anos); e 3) centro-sul de Mato Grosso: áreas com uso consolidado (> 20 anos) e manejos de solo adaptados (por exemplo, plantio direto). Nestas regiões serão realizados estudos com enfoque nos processos de estoque de carbono no solo, além de estudos climáticos (local e global) e estudos sócio-ecológicos dos ecossistemas e dos contextos sócio-econômicos.

Para auxiliar processos de tomada de decisão, os modelos de simulação, apoiados em software adequado, permitirão utilizar os dados obtidos em campo para extrapolação no âmbito de escalas locais, escalas de paisagem e escalas regionais. Todas as pesquisas (implementação e execução) incluem a participação direta dos atores locais e otros “stakeholders”. Além disso, experimentos de campo visando incrementar o estoque de carbono no solo e dinamizar as funções do ecossistema serão realizados em fazendas com a cooperação de agricultores e órgãos ambientais dos Estados de Mato Grosso e do Pará. A investigação no campo das ciências sociais visa identificar atores relevantes para os processos de transformação junto à BR 163 e leva em conta que esses processos transcendem, muitas vezes, o âmbito local.

Nos experimentos, as projeções climáticas e sócio-econômicas controladas pela evolução de uso do solo serão analisadas tendo em vista a necessidade de gerar recomendações para o manejo sustentável com base científica e factível. As medidas serão recomendadas para implantação em regiões-piloto e devem contribuir para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e para recuperar os ecossistemas. Uma plataforma de suporte à tomada de decisão será adaptada às condições específicas das regiões em estudo. A constante troca de informações entre os pesquisadores do projeto e com os grupos-alvo garantirá o suporte necessário para a implementação desta plataforma. Os resultados do projeto vão oferecer fundamentos científicos para a formulação de políticas de desenvolvimento regional sustentável. Desta plataforma será derivada uma ferramenta simplificada e fácil de usar para ilustrar o efeito das mudanças climáticas sobre a produção de biomassa e produtividade das culturas e, assim, fornecer diretrizes para opções de uso e manejo do solo que podem mitigar as emissões de GEE e ao mesmo tempo ser rentável em termos de “créditos de carbono”.

Grupos alvos e parceiros

  • Parceiros científicos no Brasil
    (a) Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA)
    (b)  Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
    (c) Universidade Federal do Pará (UFPA)
  • Agências governamentais referentes ao meio ambiente e/ou planejamento

SEMA, IBAMA, Instituto Chico Mendes,

  • Organizações de agricultores: APROSOJA, FAMATO, Sindicato Rural
  • Organizações de Trabalhadores Rurais (STR’s, FETAGRI, CONTAG, CPT etc.)
  • Organizações ambientalistas não governamentais: Instituto Ação Verde; TNC, ICRAF, IPAM, IMAZON, FoE
  • Organizações Indígenas
  • Instituições de regulação agrária: ITERPA
  • GIZ-Brasília
  • Instituto de Desenvolvimento Alemão (DIE)

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